Back2Black: Estilo e Penteados como Poder Imagético e Político

Estilo, penteados e cultura negra: Descubra como estilo e penteados no festival expressam identidade e ancestralidade.

Há uma força indomável que pulsa entre a raiz e as pontas do cabelo negro. Não é moda, não é ornamento: é política viva, é ancestralidade em movimento, é desejo, afirmação e resistência. Cada penteado — do afro majestoso às tranças, dos bantu knots às Fulani braids — carrega histórias que se inscrevem nos corpos, atravessam as ruas, incendiando palcos, telas e imaginários da cultura negra global.

No palco do Back2Black Festival, estilo e atitude não apenas caminham juntos — eles confrontam, encantam e reivindicam.
Em 2010, Erykah Badu apareceu com seu cabelo curto e loiro platinado, rompendo expectativas e reafirmando, com desobediência estética, sua liberdade absoluta.
Em 2011, a malinesa Oumou Sangaré brilhou com seu turbante africano imponente, enquanto o grupo tuaregue Tinariwen trouxe a sabedoria nômade do Saara: rostos quase inteiros cobertos por tecido, deixando apenas os olhos como janelas de uma ancestralidade milenar.

O festival sempre entendeu que estética é identidade — e que identidade é poder.
Em 2016, Grace Jones surgiu como um raio: cabelo curto, pinturas tribais, acessórios exuberantes e um corpo transformado em manifesto. Sua simples presença era um terremoto. Estética e empoderamento colidiram, produzindo uma explosão visual e política que marcou a história do festival.

No tributo a Miriam Makeba, em 2013, cada penteado carregava memória e resistência, lembrando que cabelo negro jamais é neutro.
E em 2023, IZA, Tiwa Savage e Agnes Nunes pisaram no palco reafirmando o que o Back2Black sempre soube: a estética afro é hoje um grito global de força, voz e dignidade.

Cada artista que passou pelo Back2Black vestiu sua origem como coroa. Tranças, turbantes, black powers, fios erguidos ao céu — tudo exalava ancestralidade. Cabelo não é acessório: é patrimônio. É código. É território.

O legado do Back2Black vibra também nos penteados que transformaram palco e plateia em uma arena de afirmação preta. Esses cabelos contaram o que a história tentou esconder, declararam raça, denunciaram apagamentos e produziram presença. Foram coroas que ergueram multidões, sinalizaram pertencimento e mostraram, sem pedir licença, que a estética afro é política, é arte e é resistência.

Categorias

Mais Recentes