Back2Black Festival — 17 Anos de Encontros e Conexões

Back2Black Festival: 17 anos de música negra – entenda como o festival se tornou um marco de conexões da música preta no Brasil e no mundo.

Em dezessete anos, o Back2Black Festival consolidou-se como um símbolo da música negra mundial no Brasil — um espaço onde vozes, corpos e culturas da África e de sua diáspora se encontram, se reinventam e seguem criando futuro. Nascido no Rio de Janeiro, o festival ultrapassou fronteiras geográficas e simbólicas, transformando-se em uma celebração transatlântica que conecta África, Europa e Américas.

Origens e propósito

Desde sua estreia em 2009, o Back2Black mostrou a que veio: ser mais do que um evento musical — um gesto político, poético e cultural. A primeira edição uniu artistas como Angélique Kidjo (Benim)Omara Portuondo (Cuba)Mayra Andrade (Cabo Verde) e Paulo Flores (Angola) aos brasileiros Mart’nália, Luiz Melodia, Dona Ivone Lara e Margareth Menezes. Naquele mesmo ano, nasceram encontros históricos:

Youssou N’Dour com Marisa Monte e Gilberto Gil

Banda Black Rio com Ed MottaMano Brown e Ice Blue

 E o diálogo entre passinho, kuduro e krumping, que fez do palco um manifesto global de pertencimento e criatividade.

Uma curadoria que atravessa tempos e fronteiras

Sob a direção artística de Connie Lopes, o Back2Black tornou-se referência por unir tradição e contemporaneidade.

Ao longo dos anos, passaram pelo festival nomes como:
Erykah Badu, Lauryn Hill, Missy Elliott, Macy Gray, Stromae, Damian Marley, Santigold, Grace Jones, Buika, Seun Kuti, Fela Kuti, Salif KeitaFatoumata Diwara entre muitos outros.Do lado brasileiro, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Jorge Ben Jor, Seu Jorge, Emicida, Iza, Ludmilla e Carlinhos Brown mantiveram o elo com as raízes e o futuro da música negra.

Difícil encontrar alguém que negue: em relação a escalação de artistas, não tem festival no Brasil, seja Planeta Terra, Lollapalooza, Porão do Rock ou o Rock in Rio que tenha a quantidade de acertos que o festival Back2Black tem. –  La Cumbuca

Momentos inesquecíveis

Tributo ao Blues — com Elza Soares, Taj Mahal, Vieux Farka Touré e Lizz Wright.
Homenagem a James Brown — com Pee Wee Ellis, Banda Black Rio, Ed Motta, Negra Li e Arthur Maia.
Tributo a Miriam Makeba — com Gilberto Gil, Alcione, Ladysmith Black Mambazo, Zenzi Lee Makeba, Ismaël Lô, Aicha Koné e As Ganhadeiras de Itapuã, num palco transformado em altar à ancestralidade.

Outros encontros emblemáticos:

O concerto “Back2Black in Concert” no Theatro Municipal do Rio (2018), com Gilberto Gil, Mariene de Castro, Mart’nália, Sona Jobarteh, Mário Lúcio e o maestro Letieres Leite, celebrando o Dia da África.

LenineLetieres Leite e a Orkestra Rumpilezz (2015)

O espetáculo “Nós por Nós”, com Daúde, Tássia Reis, Linn da Quebrada, Deize Tigrona, Lellêzinha e Rico Dalasam (2016)

15 anos — uma celebração transatlântica

Em 2023, o Back2Black comemorou 15 anos de história no Armazém da Utopia, na Zona Portuária do Rio.

O público viveu encontros memoráveis:
Emicida com Dino D’Santiago
Chico Brown com Mádé Kuti e Carlinhos Brown
As estreias de Tiwa Savage e DBN Gogo, estrelas do afrobeats e amapiano.

E nas ruas, o Parque Madureira pulsou com shows de Salif KeïtaMargareth Menezes e a Bateria da Portela — reafirmando a essência popular e festiva do festival.

Legado e futuro

Hoje, o Back2Black é legado e futuro — um palco onde memória e modernidade se encontram.
Um território em que a música negra segue viva como força de resistência, experimentação e celebração.Uma ponte viva entre continentes e gerações, unindo passado, presente e o som de um amanhã que continua a nascer no Atlântico Negro.