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O Back2Black Festival nasceu com a missão de relembrar a África como berço da civilização e celebrar o continente como um centro pulsante de pensamento político, inovação cultural e novas narrativas.
E assim realizou algo inédito no Brasil: Conferências de alto impacto intelectual como parte de um evento de cultura e música; e se consolidou como referência em diálogos transatlânticos, fomentando os saberes e culturas afro-brasileiras, com trocas reais, duradouras e de inestimável contribuição para a posteridade.
>> Na estreia do festival, em 2009, no espaço histórico da Estação Leopoldina, no centro do Rio de Janeiro, entre os encontros históricos promovidos pelo festival com a curadoria do escritor angolano José Eduardo Agualusa, destacam-se:
- “Construindo Utopias”, com o humanista e criador do Live Aid Bob Geldof e o escritor sul-africano Breyten Breytenbach, referência na luta contra o apartheid.
- “A África na Construção do Mundo”, com participação de Graça Machel (ex-ministra de Moçambique e viúva de Nelson Mandela), do cantor e compositor Gilberto Gil e da economista zambiana Dambisa Moyo, listada pela TIME entre as 100 personalidades mais influentes do mundo, e o africanista Alberto da Costa e Silva.
>> Em 2010, o festival expandiu sua potência para temas que conectavam política, sociedade, criatividade e pensamento contemporâneo. Entre os destaques:
– “Direitos Humanos e Sociedade Civil”, com Joyce Banda (então presidente do Malaui), o escritor e ativista nigeriano Chris Abani, o antropólogo Rubem César Fernandes e Zulu Araújo, arquiteto e produtor cultural baiano.
– “Criatividade”, reunindo o multiartista Dave Stewart, o artista plástico Vik Muniz e o poeta, músico e ator sul-africano Zola (África do Sul), sob mediação da escirtora e historiadora Heloisa Buarque de Hollanda.
– “Literatura, Imagem e Som” com os escritores Mia Couto e José Eduardo Agualusa e os cineastas Cacá Diegues e Rui Guerra
>> Em 2012, o evento estreou em Londres, reforçando seu papel como ponte entre África e Brasil. Os encontros abordaram temas como afro-empreendedorismo, identidade, política cultural e os novos diálogos entre continentes e recebeu grandes vozes do pensamento africano e da diáspora; entre elas a escritora e ensaísta nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, o romancista e poeta franco-marroquino Tahar Ben Jelloun, o cantor e compositor Gilberto Gil e o artista sul-africano Hugh Masekela.
>> No mesmo ano, a programação intelectual da edição brasileira do Back2Black Festival reuniu nomes essenciais da literatura, da música e do pensamento afro-diaspórico nas conferências:
- “O lugar da mulher na literatura na África, Cuba e Brasil”, com Paulina Chiziane, primeira mulher a publicar um romance em Moçambique (Balada de Amor ao Vento / 1990) e primeira mulher africana a receber o prestigiado Prêmio Camões (2021), a escritora cubana Karla Suárez e Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras.
- “A origem do samba e sua presença na literatura brasileira”, com os compositotres Nei Lopes e Martinho da Vila e o escritor Paulo Lins.
- “As relações entre África e Brasil e o papel da música no combate ao apartheid e ao racismo”, com o músico Hugh Masekela e o cubano Carlos Moore, escritor, pesquisador, cientista social e Doutor em Ciências Humanas e Etnologia pela Universidade de Paris.
>> Em 2013, em sua 6ª edição, o Back2Black inaugurou um novo território: a Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, e recebeu pensadores, artistas e líderes políticos em encontros que ampliaram debates essenciais sobre África, diáspora e criação contemporânea em:
- “A democratização e o desenvolvimento da África”, com o pensador e artista Gilberto Gil e o Reverendo Jesse Jackson, pastor batista e ativista político americano, figura central no Movimento pelos Direitos Civis ao lado de Martin Luther King Jr., sob mediação do escritor José Eduardo Agualusa.
- “A Tradição no Mundo Moderno”, com a artista plástica Esther Mahlangu (África do Sul), a mais famosa das artistas tradicionais do povo Ndebele, e Soba Bernardo Mussonde (Mukubal/Angola), autoridade tradicional, representando um povo nómada do sul de Angola que durante séculos tem sabido preservar as suas tradições. A mediação foi de José Eduardo Agualusa.
- “A nova dramaturgia afro-brasileira” com Guti Fraga (ator e diretor, fundador do grupo de tatro Nós do Morro), a atriz Zezé Motta e Márcio Meirelles (encenador, dramaturgo e criador do Bando de Teatro Olodum), sob mediação do escritor Paulo Lins
- Neste ano, o evento exibiu o documentário “Hereros Angola”, de Sérgio Guerra, sobre os Hereros, grupo étnico proveniente do sudoeste de Angola, dono de uma tradição ancestral que é passada oralmente de pais para filhos.
>> Em 2015, o festival apresentou debates fundamentais sobre identidade, território e linguagens urbanas, como:
– “Literatura numa África em conflito”, com o romancista , jornalista , poeta e acadêmico Alan Mabanckou (Congo) e o romancista, poeta, ensaísta e roteirista Abdourahman Waberi (Djiboti).
– “O Negro e a Invenção do Rio” com os escritores Nei Lopes e Ruy Castro.
– O antropólogo, poeta, ensaísta e historiador brasileiro António Risério conversando sobre identidade, memória, diáspora e colonialismo.
– “O Kuduro e a linguagem das periferias”, com Kalaf Angelo (Angola) e José Eduardo Agualusa.
Além disso, tivemos a exibição do documentário “I Love Kuduro”, dirigido por Mário Patrocínio, e a apresntação da campanhas Jovem Negro Vivo da Anistia Internacional
>> Em 2016, o evento juntou gerações e estéticas da diáspora negra com novas vozes da música preta brasileira para uma palestra e um espetáculo especialmente criados para o festival:Tema “Cultura e Empoderamento Negro” – Espetáculo: “Nós por Nós”, com Direção Geral de Rafael Dragaud e Direção Musical de Rafael Mike. E participações de Daúde, Lellêzinha (Dream Team do Passinho), Deize Tigrona, Tássia Reis, Rico Dalasam e MC Linn da Quebrada.
>> Em 2019, o evento comemorou 10 anos em novo endereço: o Armazém da Utopia, na Gamboa, região portuária do Rio. O festival trouxe Intervenções Cênicas e Poéticas com as participações especiais da atriz Dira Paes, lendo textos sobre o mito dos baobás como Árvores da Vida, e a cirandeira Lia de Itamaracá, celebrando a ancestralidade, o afrofuturismo e a cultura negra global.
>> Em 2023, após a pausa imposta pela pandemia, o Back2Black renasce em sua 11ª edição celebrando os 60 anos do Dia da África e sua vocação de encontro, pensamento e celebração.
A programação intelectual, reunida sob o título “Diálogos de Pret’Upias”, trouxe encontros de alta potência política e imaginativa. Entre eles:
- “Diálogos Afroatlânticos”, com o artista Dino d’Santiago, Kalaf Epalanga (músico, escritor, poeta e cronista angolano radicado em Berlim) e a jornalista e escritora brasileira Eliana Alves Cruz.
- “Retratos de África”, com o artista Mateus Aleluia e o Nobel de Literatura Wole Soyinka.
- “Um olhar sobre o futuro do mundo numa perspectiva Negra e Feminina”, com a linguista e escritora brasileira Conceição Evaristo, Sinara Rúbia (educadora, escritora e mestre em Relações Étnico-Raciais), a atriz Zezé Motta e a ativista social Camila Moradia, sob mediação de Carolina Morais, Mestre em História da África.
>> Ainda em 2023, o Back2Black se uniu à Rio Innovation Week para uma edição singular durante o evento. Foram dezenas de conferências e talks. Entre eles:
- “Entender o Brasil”, com Martinho Da Vila.
- “Um olhar sobre o futuro numa perspectiva preta e de Gênero”, com Erika Hilton (transexual e deputada federal) e Raquel Virgina (Cantora e compositora indicada duas vezes ao Grammy Latino).
- “Racismo estrutural ou institucional?”, com Carla Akotirene (Mestra e Doutora em Estudos Interdisciplinares de Gênero, Mulheres e Feminismo) e Katiuscia Ribeiro (filósofa especializada em filosofia africana).
- “Inovação na gestão cultural – A potência das periferias”, com Aline Torres (Secretária de Cultura da Cidade de São Paulo) e Pâmela Carvalho (Educadora e Coordenadora da Rede da Maré).
- “A narrativa, a poesia, o cotidiano e o futuro”, com Rodrigo França (diretor de cinema e teatro) e Renato Nogueira (filósofo e escritor).
- “Como a literatura pode nos preparar para o futuro?”, com os escritores José Eduardo Agualusa (Angola) e Marcial Gala (Cuba).
- “Ancestralidade como caminho para um futuro sustentável e equânime”, com o historiador e escritor Jonathan Raimundo.
Nas palavras de Connie Lopes, Idealizadora e Diretora Geral do B2B, “O Back2Black é a materialização de um movimento criativo e atual que visita o passado para pensar um futuro menos desigual e mais inovador. O continente que foi o berço da humanidade, volta a dominar nosso futuro”.